Dia/Mês da Mulher: menos homenagem pontual e mais respeito sempre

por Tanuza Oliveira no JL Política


Tanuza Oliveira
Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Peço licença a você, leitor, para escrever esse texto, excepcionalmente hoje, na primeira pessoa do singular – eu -, pois como mulher e parte totalmente interessada nessas divagações a que se propõe essa coluna, não poderia me distanciar a ponto de escrever sobre elas, mulheres, apenas como a terceira pessoa do plural.

Pois bem. Queria falar sobre o 8 de março, que este ano foi muito menos 8 de março e mais resto do ano. Concordam? É que as reflexões foram tão além das flores, dos clichês, das homenagens, que nem parecia aquele 8 de março no qual as repartições ainda dão uma rosa com cartão às colaboradoras. 

Falamos – sim, inclusive eu – de luta, de denúncia, de feminicídio, de desigualdades… Falamos da realidade que temos e não só do ideal que queremos. Falamos do que precisamos – e não, não é de que abram a porta para nós. Isso também seria bom, afinal, romantismo e educação nunca saem de moda, mas nossas necessidades vão muito, muito além.

Na verdade, a maioria das mulheres que conheço – e obviamente me incluo nesse hall, já que vivo em busca de autoconhecimento -, trocaria qualquer flor, qualquer abertura de porta e outras supostas gentilezas por uma parceria na vida real, presente nos demais 364 dias do ano. 

A maioria das mulheres que conheço está realmente farta de ser o sexo frágil o ano inteiro e só no 8 de Março ser taxada de guerreira, forte, maravilhosa e mais dezenas de outros adjetivos. É claro que queremos as homenagens do nosso dia, mas, mais do que isso, queremos o respeito sempre, no dia a dia. Sem flores, sem bombons. Só respeito mesmo.

Respeito às nossas vontades, às nossas opiniões, aos nossos conceitos, aos nossos “nãos” e também aos “sins”. Às nossas profissões… enfim, respeito às nossas escolhas. Porque foi nisso que o 8 de Março se transformou para nós: mais um dia de luta por igualdade, ou pelo menos contra a desigualdade.

Pelo menos foi nisso que o 8 de Março das mulheres que conheço se transformou – será que eu que conheço as melhores mulheres ou estamos, de fato, chegando lá? É claro que ainda estamos longe de uma sociedade com mais equidade e justiça, mas também é fato que nós – essa entidade valorosa da primeira pessoa do plural – já a estamos construindo. Quem nos acompanha?


8 de Março é muito mais símbolo de luta do que uma simples data a ser comemorada

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *